Às vésperas do pleito, fake news são risco para democracia

por Felipe Faleiro

Pense rápido: você é daqueles que repassa uma informação sem checar a veracidade da mesma ou analisa antes para saber se é verdade ou mentira? As fake news, ou notícias falsas, são consideradas um dos principais riscos das eleições deste ano, com potencial, inclusive, de influenciar a decisão de voto dos eleitores.

O termo se popularizou durante a eleição presidencial norte-americana em 2016, na qual o republicano Donald Trump fez críticas à imprensa daquele país, acusando-a de espalhar inverdades sobre sua campanha, e mesmo após sua vitória, ainda que estudos indiquem que hackers russos possam ter influenciado o pleito a favor de Trump, que foi o vencedor.

Mas é época de eleições no Brasil, e esta preocupação aumenta à medida que as redes sociais espalham histórias com grande velocidade em um curto espaço de tempo. Para a professora do curso de Jornalismo da Universidade Feevale e doutora em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Vanessa Dalpizol Valiati, o cenário de polarização do debate também amplia este cenário de disseminação.

“Sempre existiram boatos na época eleitoral”, afirma ela. “O eleitor é levado a acreditar nestas informações, muitas vezes, pois elas são repassadas por conhecidos, em grupos 'da família’ e também pela facilidade de acesso a estas informações, criando o que é chamado de viralização do conteúdo”.

Fact-checking

Para tentar diminuir o impacto das fake news, começaram a ser criadas agências de checagem de dados, ou “fact-checking”, que analisam as informações veiculadas por estas redes, e até mesmo divulgadas por candidatos, em busca de afirmações falsas ou imprecisas.

“A função do fact-checking é apurar e averiguar a precisão das informações públicas”, afirma a jornalista e pesquisadora Taís Seibt, idealizadora do Filtro Fact-checking, que, neste ano, analisa o discurso dos candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. “Muitos se aproveitam tanto política quanto economicamente desse ambiente para plantar mentiras que têm um alto potencial de compartilhamentos e engajamento”.

Pesquisa divulgada no mês de setembro pelo Instituto Ipsos, é realizado em 27 países, demonstra bem esta realidade. Conforme o estudo, chamado “Fake news, bolhas de filtro, pós-verdade e verdade”, os brasileiros são os que mais acreditam em notícias falsas no mundo. 62% dos entrevistados disseram concordar à questão “Eu acreditei falsamente que uma notícia era real até que descobri que era falsa”.

Segundo Vanessa, fake news não ocorrem apenas nas eleições, mas se intensificam durante o pleito. A tendência também é que elas sigam circulando. “Assuntos diversos podem render notícias falsas”, analisa a professora. “Veja, por exemplo, o caso da [vereadora do Rio de Janeiro] Marielle Franco, ou de informações falsas sobre saúde que sempre aparecem”.

Taís comenta que ainda é necessário ainda dimensionar o impacto das notícias falsas no país. “Teremos de acompanhar e estudar os desdobramentos. A verificação se tornou uma ferramenta para sinalizar esses conteúdos fraudulentos, mas não resolve a questão, pois o que se chama de ‘pós-verdade’ é esse ambiente em que fatos e dados têm menos relevância que emoções e crenças na formação de opiniões.”

Dicas para identificar uma notícia falsa

- Verifique se a informação é de uma fonte confiável. Consulte a origem da notícia;

- Não leia apenas o título da notícia. Fake news costumam se apresentar com títulos chamativos, exclamações e informações chocantes;

- Confira as datas. É comum que notícias falsas sejam compartilhadas anos mais tarde, como se fossem da atualidade;

- Fotos ou vídeos podem ser manipulados para parecerem fora de contexto. Pesquise a data da imagem e onde ela foi divulgada;

- Na dúvida, não compartilhe a informação.

Fonte: Site Governo do Brasil

Para conferir

- Site do Filtro: pensamento.org/filtro

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