Espaço Cultural Menelau promove arte e teatro imersivos em Canudos

por Felipe Faleiro

Existe um outro mundo no número 41 da Rua Nicolae Vasilescu, no bairro Canudos. Um local que respira arte e cultura em cada centímetro e em cada estátua que observa, imponente, porém acolhedora, os visitantes. Este mundo atende pelo nome de Espaço Cultural Menelau (Esculme), localizado há 18 anos no maior bairro de Novo Hamburgo.

O administrador deste espaço, inspirado na mitologia, é o professor e artista Everaldo Menegali, 50 anos, que não é hamburguense, mas veio para cá e fez do espaço sua própria morada. Chama a atenção, porém, a presença de uma trupe teatral, o Grupo Articênico Penscena, existente há 16 anos, e que ensaia seus espetáculos ali mesmo, além de produzir seus próprios figurinos.

A casa e o pátio são ambientes de imersão. O resultado é que o público, convidado a assistir às peças, se torna parte fundamental das histórias, interagindo com elas, sendo transportado por cada ambiente por meio das intervenções dos atores. Durante os espetáculos, são comuns os olhares para cima e para os lados. A plateia está o tempo todo em movimento.

“Nossa ideia é fazer um teatro pensante, e que seja belo. Nossas peças não se encaixariam em palcos. A proposta é que todos assumam um papel de dinamismo”, diz Everaldo. “A plateia assiste, literalmente, de dentro da peça, e o contrário também ocorre, ou seja, os atores assistem ao público e interagem com ele”. Não é incomum uma cena ser projetada para ser realizada em um terraço a metros do chão.

 

O grupo, hoje, tem dez integrantes, incluindo o professor e a irmã, Cleuza Menegali, que também vive no espaço. Os demais são jovens e adultos com idades entre 15 e 32 anos. Dois deles vêm de Parobé; sete são hamburguenses. “Quando a gente está aqui, esquecemos do mundo lá fora. O teatro faz mudar muitas coisas. Para mim, é até surreal participar de um grupo tão qualificado quanto este”, conta Bruno dos Santos, 22.

“Na minha vida, penso que o teatro provocou um importante amadurecimento, além da disciplina, olhar para o mundo e ter novas opiniões”, diz Ítalo Bertotti, 28. Tanto ele quanto Jonatan Flores, 28, são os integrantes ativos há mais tempo no Penscena, atuando há quinze anos no espaço.

Esculturas

As esculturas complementam o cenário, retratando formas humanas e também inspiradas na natureza. Feitas em cimento, são projetadas e confeccionadas pelo próprio Everaldo. Por conta destas peças, algumas em tamanho natural, o espaço também recebe a visita de escolas.

Atualmente, a temporada de exibições dos espetáculos está encerrada, e ainda não há previsão para retorno. O grupo, que está completo no momento, conforme Everaldo, está se reunindo aos sábados para o ensaio da nova peça, chamada “O que mais tem é o bem”.

Com o bairro Canudos no coração e na bandeira do Penscena, o mestre e seus alunos conduzem o Espaço Menelau com toques de artista, com a consciência de que cada peça causa uma reflexão diferente. O público, naturalmente, é quem mais ganha.

“As pessoas vêm para cá assistir e saem de uma forma diferente. Já houve gente que, após o espetáculo, chegou até nós e disse: isto é exatamente o que eu precisava ouvir, me sinto até mais leve depois disto”, conta a atriz Angélica Beatriz da Silva, 32.

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